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Série da vez:A Cidade é Nossa(2022)

Versão leve para a realidade de qualquer brasileiro, nessa série vemos a construção de um quase miliciano americano, mas mais interessante ainda é a reflexão interessante sobre a atividade policial e o que a sociedade quer dela. Confira mais detalhes na critica abaixo.


Uma realidade quase familiar...


Nota IMDb: 7,6 (até o dia da postagem) (IMDb)
Criador: George Pelecanos(The Wire, The Deuce e O Pacífico) e David Simon(Homicídio, The Wire, The Corner)
Título Original: We Own This City
Estrelas: Jon Bernthal(como o "energético" Wayne Jenkins),  Wunmi Mosaku(como a otimista ativista Nicole Steele), Jamie Hector(como o que viu que era uma furada Sean Suiter), Josh Charles(como o vaso ruim Daniel Hersl), McKinley Belcher III(o surfando na onda Momodu Gondo), Darell Britt-Gibson(como o malandro Jemell Rayam), Dagmara Dominczyk(como a agente Erika Jensen), Don Harvey(como o outro agente John Sieracki), entre outras estrelas
Crítica: Dissonantbr


Essa série deve ter chocado muitos americanos, colocando um pouco de luz sobre alguns eventos recentes, especialmente Baltimore, contudo o que eu pensei que ia ser uma série tensa, é relativamente bem tranquila para a realidade brasileira. Se Narcos é tão pesada que nem o Tarantino ou até mesmo diretores de terror conseguem acompanhar, a realidade americana é bem de boas frente ao nosso dia a dia. Tragicómico, sem dúvida.

Nessa série a história ronda a formação de uma espécie de milícia(policiais corruptos e que traficavam e cometiam outros crimes), com o núcleo rondando quatro personagens chaves, Wayne Jenkins(por Jon Bernthal), Daniel Hersl(por Josh Charles) e Nicole Steele(por Wunmi Mosaku) e Sean Suiter(Jamie Hector). Com funções bem diferentes, os quatro veem suas funções em uma máquina de moer vidas que se tornou o sistema policial, com tudo aquilo desenhado de acordo com um sistema com vários pontos em comum com o nosso. 

A série que usa o recurso de ir e voltar no tempo, desde da formação de Wayne Jenkins recém formado em 2005 até a sua queda em março de 2017, passando pelos protestos da morte de Freddie Gray em 2015, a exaustão do modelo por performance pura(quantidade de drogas/armas/dinheiro apreendido) para uma reflexão da relação Polícia e Sociedade. Claro, também passando pelo problema da militarização da polícia, a quebra de confiança com o cidadão comum, o preconceito e a corrupção evidente de alguns policiais. 

Muita coisa que é mostrada nos 6 episódios não é novidade lá, ainda que alguns números são realmente impressionantes. Em uma cidade de 620 mil habitantes, em cinco anos houve 300 mil detenções/abordagens(no filme explica porque e como isso gerou uma justiça fast food e absurda). Semelhanças com a nossa realidade não são mera coincidência. Contudo em mais de uma década uma cidade tranquila como Baltimore passou para 342 homicídios em um ano, o que é alto, mas é invejável para muita cidade parecida no Brasil. Dica é ver quanto é a média de Altamira, onde a chapa realmente é quente aqui.

O ritmo da série pode ser considerado lento para alguns, já que vemos alguns momentos importantes e as investigações e as conclusões de muitos atos, no já citado recurso de flash back.  Contudo o desempenho de alguns atores é excelente, com desempenhos surpreendentes e nem sempre acompanhados de um excepcional texto, mas silêncio e olhar aliado com o esforço e a recompensadora demonstração de atuação.

Resumindo, é uma excelente reflexão sobre do que se espera da educação, uma reflexão sem soluções fáceis da pós fase das Guerra às Drogas, e , ainda mais importante, é a ponderação da visão praticamente mecânica do funcionamento da polícia. Mais drogas, armas e prisões significa um desempenho melhor? Se vê uma coisa interessante aqui: não há respostas fáceis. Mas a forte impressão que algo não vai bem. Disponível na HBO Max.





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