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Eu faria assim: Filme de ficção científica - O Devorador de Ossos - Capítulo 7 - Parte 3

Mark chega à superfície de Europa e se prepara para lançar o submersível
                                                                                                                                       
Sentado na cadeira de comando com sua roupa espacial completa, mas ainda sem o capacete, Mark está admirando a visão de Europa se aproximando pelo vidro frontal da Pioneer. Em silêncio, ele vê a lua que tem uma superfície clara e com manchas alaranjadas que parecem cicatrizes. De repente, a Pioneer faz uma manobra para assumir uma trajetória menos direta e a visão de Europa fica apenas na parte inferior do vidro. Após alguns minutos, a voz de M.A.I.C. surge no sistema comunicador da espaçonave e chama a atenção de Mark:

- Trajetória de órbita estabelecida. Estamos prontos para o lançamento da Explorer para chegar à superfície.

Mark então coloca seu capacete e o trava antes de responder:

- Ok “M”, e como estão os níveis de radiação? Já tivemos alguma posição da NASA?

- O nível de radiação está dentro do esperado e temos uma janela de três horas antes da próxima aproximação a Júpiter. A NASA já checou os dados e deu o sinal verde para o pouso. Eles desejaram boa sorte.

Mark respira fundo, se levanta e fala:

- Certo, então vamos lá.

Após isso, ele se dirige à escotilha que dá acesso ao cockpit da Explorer. A voz de M.A.I.C. é ouvida mais uma vez:

- Destravando escotilha. Já iniciei os sistemas da Explorer e chequei também a integridade do submersível Deep-X.

Mark escuta o barulho da trava sendo removida e puxa a escotilha. Após isso, ele desce e se senta no cockpit de comando da Explorer. Enquanto ele se prende na cadeira, o vidro se fecha e logo após a escotilha de acesso à Pioneer. Mark aperta alguns botões no painel de controle da Explorer e depois segunda o manche e a alavanca de comando da espaçonave antes de dizer:

- Estou pronto, “M”.

A resposta de M.A.I.C. vem logo em seguida:

- Liberando Explorer em três, dois, um...

Um grande barulho é ouvido e em seguida a Explorer se solta da Pionner e começa a se afastar lentamente. Mark executa outros comandos e diz:

- Ligando EM-Drive e propulsor principal.

Após isso, ele move os manches e a Explorer assume uma trajetória descendente em direção a Europa. A ausência de uma atmosfera faz com que a entrada seja bem mais tranquila do que seria na Terra e tirando uma pequena vibração, a Explorer segue sem grande esforço. Aos poucos, o que antes parecia plano vai ganhando formas de relevo e as cicatrizes se transformam em vales profundos que constroem um cenário bastante pitoresco e que se assemelha às montanhas da Terra apesar de serem de gelo. A voz de M.A.I.C. surge mais uma vez:

- Eu marquei no radar da Explorer o ponto de pouso que foi um dos gêisers mais recentes localizados em Europa.

- Ok ‘M’, eu já vi, estou indo para lá.

A Explorer se aproxima mais da superfície e adentra um dos vales próximos. Mark manobra a espaçonave e guia ela enquanto acompanha o curso. De repente, ele visualiza uma fratura na superfície e diz:

- Eu localizei o ponto, vou pousar próximo a ele.

A Explorer desliga o propulsor principal, reduz sua velocidade e começa a planar e depois a descer. Como o EM-Drive não expele gases, a descida é bem tranquila e não levanta nenhum tipo de material da superfície. Após um tranco, a nave fica imóvel e Mark diz:

- Pouso realizado com sucesso. Desligando propulsor EM-Drive.

Depois de dizer isso, Mark respira fundo e se prepara para sair da Explorer. Ele aperta um botão que abre o vidro do cockpit, se desprende da cadeira de comando e começa a descer. Antes de pisar no solo de Europa, Mark fecha os olhos e vê uma espécie de filme passando em sua mente sobre os momentos de dificuldade que precisou enfrentar para tornar possível esse pequeno passo. Em seguida, ele pisa na superfície que é formada basicamente por gelo e um pouco de poeira. Ele dá alguns passos e aproveita para apreciar o ambiente que se apresenta. A gravidade pequena faz com que ele se sinta como se estivesse prestes a flutuar. O céu escuro e repleto de estrelas e a presença imponente de Júpiter no horizonte formam uma imagem fascinante e de tirar o fôlego. O Sol distante e bem menor do que visto da Terra completam a visão que chega a parecer imaginária de tão impressionante. Após mais alguns momentos de contemplação, ele fala:

- Que vista magnífica, “M”.

A voz de M.A.I.C. é então ouvida no comunicador:

- Eu não saberia dizer, Mark. Não estou vendo.

Mark dá uma gargalhada longa e depois diz:

- É verdade. Me desculpe.

- Tudo bem Mark, mas não se esqueça do objetivo da missão e de que o tempo está correndo.

Mark então faz uma careta e retruca:

- Lá vem você sempre pensando no trabalho e nunca na diversão, parece até um robô.

M.A.I.C. nem sequer responde à provocação, mostrando que ainda precisa desenvolver mais seu senso de humor. Mark então se aproxima do compartimento de carga da Explorer e o abre para revelar o submersível Deep-X. Ele dá duas leves batidas no seu casco e diz:

- Muito bem, meu caro, agora é hora do seu show.

Ele começa a soltá-lo para o lançamento e conclusão da missão. Enquanto isso, seus pensamentos viajam de volta à Terra e no que Sibelle deve estar fazendo ou pensando e do quanto ela gostaria de estar ali também para presenciar a descoberta de vida alienígena no oceano subterrâneo de Europa. Ele sabe que precisa ser rápido e eficiente, mas não consegue negar a felicidade de ser o primeiro ser humano a estar pisando no solo de uma lua de outro planeta que não seja a Terra. Sendo assim, ele para o que está fazendo e dá mais uma rápida olhada à sua volta, absorvendo a beleza tão peculiar que se apresenta diante de seus olhos.


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