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Primeiras impressões: NVidia Shield Portable

Mais um gadget apenas para os entusiastas? Confira na nossa análise

Não escondo de ninguém que sou um fã de tecnologia e que gosto de comprar gadgets que me interessam. Por isso, quando a NVidia anunciou que lançaria um console android portátil, isso chamou minha atenção, principalmente pela possibilidade de utilizar minha placa GTX para fazer streaming dos meus jogos de PC em alta qualidade. O elevado preço inicial e a reação morna ao Shield me desanimaram a fazer uma compra imediata. Ainda assim continuei interessado e, depois de aguardar pacientemente como todo bom pescador, consegui fisgar um usado e pela metade do preço no ebay. Depois de passar alguns dias com o bichinho, resolvi postar aqui minhas primeiras impressões para quem sabe ajudar outros indecisos a sair do muro.

O design e sua usabilidade


Desde as primeiras imagens eu fiquei bastante interessado com a chance de poder ter um "controle de XBox 360 com tela". Tudo bem que a posição dos analógicos está mais para um controle de Playstation, mas o fato é que este design já provou ser o mais indicado. O Shield Portable fechado é até atraente, sendo que o "escudo" que dá nome ao dispositivo pode ser removido e trocado para quem é mais empolgado com personalizações:
O problema é que o Shield Portable não é apenas um controle. Ele é um portátil completo com tela, bateria e hardware embarcados. Isso afeta não só o peso (e como o bicho é parrudo!) mas também a sua ergonomia. Infelizmente essa gordura a mais impede que a "pegada" seja tão confortável quando a de um joystick tradicional. Desta forma, o uso requer uma adaptação e uma curva de aprendizado. Ainda assim, prefiro isso a ter que lidar com a falta de botões que tornariam o dispositivo muito mais complicado durante um streaming de jogos (como ocorre com o Vita, por exemplo). Não existe almoço grátis, você tem que se acostumar com o peso dele e até mesmo com o calor e o barulho do cooler (nada exagerado neste caso).

Os botões a mais são basicamente os padrões do Android, além também de um botão para fazer uma "sobreposição de mapeamento de controle" que permite usar o joystick mesmo em aplicativos e jogos que não suportariam o controle físico (bem bacana).

A tela de 5", apesar de não ser nada nível Apple, é muito bacana e tem ótima resolução (720p) e brilho. Sua funcionalidade touch também é excelente e não me decepcionou em nada.

O som é bastante potente para um portátil, mas para mim isso não importa muito porque na maioria das vezes farei uso de fones.

Quanto à bateria, apesar de ainda não ter usado muito já deu pra perceber ele ela tem uma duração boa e, mesmo usando a tela no brilho máximo e forçando o chip a ponto de ouvir o cooler, não consegui acabar com a bateria durante um dia de uso intermitente.

O hardware e seu desempenho


O Shield Portable foi a escolha da NVidia para mostrar o poder de seu chip Tegra 4 e da tecnologia de GameStream já embarcada em suas placas desde a GTX 650. Clique aqui para ver as especificações completas do hardware.

De fato o portátil tem um desempenho excepcional e não experimentei nenhum tipo de lentidão no uso do Android (versão 4.4.2). Nem mesmo os jogos mais pesados fizeram o bicho engasgar e acho que vai levar um tempo até que isso aconteça. Fica aí a dica para quem curte rodar emuladores no Android com controle tradicional, pois na minha opinião o Shield Portable destronou o Xperia Play como o melhor dispositivo android para emuladores.

Em termos de entradas e saídas, além das entradas padrão para cartões MicroSD, Micro-USB e para fone de ouvido, o Shield Portable tem também uma saída Mini-HDMI que depois da última atualização permite conexão com uma TV em resoluções de até 4k.

Outra adição bem interessante foi a compatibilidade com redes wirelless de 5GHz. Aproveitando esse "empurrãozinho", troquei meu roteador para um dual-band (5GHz e a tradicional 2.4GHz) e posso dizer que fez toda a diferença em termos de velocidade e de proteção contra interferências.

GameStream

Finalmente vamos falar da funcionalidade que mais me atraía neste portátil. Sendo dono de um PC equipado com uma GTX970, claro que eu sonhava com a possibilidade de fazer stream dos jogos e poder saciar meu vício mesmo quando o PC estiver com seu uso proibido. Finalmente posso dizer que meu sonho se tornou realidade. Deixando todas as tecnicalidades de lado de como o sistema de baixa latência da NVidia funciona, posso dizer que o Shield Portable cumpriu com louvor seu papel de permitir jogatina remota do meu PC.

Mas antes eu precisei fazer alguns ajustes na minha infraestrutura para ter um desempenho satisfatório. Como lá em casa já existiam muitos aparelhos na frequência de 2,4GHz (telefone sem fio, celulares, babá eletrônica, etc), decidi trocar meu roteador para um dual-band e somente depois disso (e graças à rede 5GHz) o stream pelo Shield ficou do jeito que esperava.

Como o joystick tem todos os botões do tradicionais de um controle de Xbox 360, todos os seus jogos irão funcionar sem problemas (apenas aqueles que aparecem no NVidia Experience, claro). Testei com o Fifa 15 e o FarCry 4 e posso dizer que, depois de me adaptar à ergonomia do Shield, foi como estar jogando no próprio PC e o lag foi imperceptível. Um problema que tive foi o fato do stream não permitir que eu tivesse total controle do Windows, o que me obrigava a me levantar para desligar o PC depois de jogar. Resolvi isso instalando o Microsoft Remote Desktop pelo GooglePlay. Esse software se integra perfeitamente com o Windows (de professional pra cima) e resolveu todos os meus problemas.

Essa possibilidade de controlar o Windows acabou revelando outra ótima utilidade para o Shield Portable: controle remoto para HTPCs. Fiquei impressionado como os botões e direcionais funcionaram para executar ações no Windows remotamente, com destaque para a funcionalidade de mapear o mouse para o analógico direito, o que permite controle preciso e cliques rápidos (com o R3 do analógico).

Outra boa funcionalidade futura (por enquanto apenas para os Estados Unidos) será usar a plataforma de streaming da NVidia chamada GRID. Ela promete ser uma boa opção para aqueles que dispõem de uma ótima infraestrutura de rede (ou seja, nunca no Brasil). 

Conclusão


Mesmo tendo sido "obrigado" a trocar meu roteador para conseguir ficar satisfeito com o desdempenho de streaming do Shield, posso dizer que fiquei muito surpreso e feliz com a compra. Talvez se sua casa tiver menos fontes de interferência seja possível usar a rede de 2,4GHz sem problemas, como já vi em vários relatos pela net. 

A questão fundamental é que o preço elevado acaba sendo o maior ponto negativo deste portátil. A não ser que você consiga, como eu, comprar ele usado ou trazer de fora (se bem que com esse dolar atual tá difícil) sem taxas. Por conta disso, ele acaba se localizando na nuvem de gadgets caros e que só irão ter apelo para os mais aficionados e entusiastas. Isso sem falar que para fazer uso do GameStream você ainda precisa ter uma placa da NVidia, o que já aumenta bastante o custo total.

Mas você se já tem uma GTX e procura uma solução portátil para fazer stream dos jogos de PC com qualidade e não se importar com o preço, tenho certeza de que o Shield Portable é a melhor opção disponível. E de quebra você ainda leva um dispositivo android que traz todas as funcionalidades e facilidades disponíveis atualmente para os tablets.

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