Anúncio 1

Últimos Posts

Eu faria assim: Filme medieval com dragão - Parte 5



Os olhos de Kalydor se abrem vagarosamente e sua vista turva aos poucos releva a imagem preocupada da princesa, que está ajoelhada cuidando dos ferimentos do guerreiro. Ele pergunta onde está e descobre que se passaram três dias desde a batalha contra o grifo e que o grupo já está perto do terceiro e último guardião, no extremo norte do reino. O anão resmunga de uma dor nas costas por ter carregado Kalydor no percurso e talvez por isso ele seja o mais feliz do grupo com o despertar do seu companheiro. A ferida na perna direita do guerreiro está bem melhor e o mago diz que isso foi graças à princesa elfa, pois ela recolheu algumas ervas e preparou uma mistura para aplicar sempre que trocava os curativos.

Kalydor agradece a princesa, mas ela faz questão de lembrar que, se não fosse pela bravura do guerreiro, ela teria sido a vítima do grifo. Depois de ouvir tudo sobre a batalha vitoriosa, Kalydor se levanta com dificuldade, vai até a saída da caverna onde o grupo se refugia e pergunta sobre Balaur. O mago responde que o dragão está à espreita e seguindo eles durante todo o percurso. O guerreiro então diz que está pronto para prosseguir e o grupo se prepara para partir enquanto o sol se ergue no horizonte.

Durante o resto do dia, os quatro aventureiros seguem em uma floresta na direção apontada pelo mago como sendo a entrada para a caverna que leva ao labirinto e lar do terceiro guardião. Eles procuram se esconder usando a vegetação para não correrem o risco de serem avistados por Balaur. No entanto, em determinado momento, já durante a noite, o grupo alcança uma clareira na floresta que se entende por grande distância até terminar em uma montanha. O mago diz que na montanha é que está a entrada para a caverna, mas o resto do grupo vacila em sair da floresta com medo de ser avistado. 

Kalydor, já andando com mais segurança, é o primeiro a adentrar a clareira enquanto saca sua espada e empunha seu escudo. O anão o segue de perto com a princesa dando cobertura, enquanto o mago espera para ver se é mesmo seguro. Os aventureiros avançam com cuidado e atentos a qualquer barulho das redondezas. O mago segue seus três comandados à distância e o grupo se aproxima da metade do caminho, de onde já é possível ver a entrada da caverna que leva ao labirinto. De repente, um rugido estrondoso denuncia a aproximação de uma criatura mal intencionada. O barulho, que veio de trás do grupo, revela para os assustados aventureiros a figura  de Balaur, que se aproxima em um voo ameaçador. O anão e a princesa ficam paralisados enquanto Kalydor aperta mais forte o punho na espada e se prepara para o combate mirando seu inimigo que se aproxima. 

O mago, que estava um pouco afastado do grupo, vira o alvo da primeira baforada de Balaur. Com excelentes reflexos, o mago ergue seu cajado e grita algo que faz aparecer um escudo de energia que o protege do fogo consumidor do dragão. A criatura sobe um pouco após o ataque e passa por cima dos demais antes de pousar em frente à entrada da caverna e se voltar para eles novamente. O mago está de joelhos apoiado em seu cajado ainda se recuperando do primeiro ataque, mas ainda consegue gritar para os outros correrem novamente em direção à floresta. 

A princesa e o anão começam a correr, mas Kalydor está tomado de fúria e não escuta o comando do líder. O guerreiro começa a avançar em direção a Balaur enquanto o mago se levanta e grita novamente sem sucesso. O anão, ao ver que seu companheiro foi em sentido contrário, decide voltar para ajudá-lo enquanto a princesa continua fugindo para a floresta. O dragão enche o peito e se prepara para incinerar Kalydor, mas ele percebe e começa a correr de lado para dificultar a mira. O jato de fogo é atirado e o guerreiro se joga atrás de uma pedra para evitar sua morte. A baforada ainda persiste por alguns segundos e o guerreiro se encolhe com o escudo na cabeça e sente o calor infernal tomar conta de seu corpo. O mago correu para se refugiar nas árvores, mas o anão se aproximou do dragão o suficiente para arremessar seu machado em direção à cabeça da criatura. A arma gira e acerta em cheio o pescoço de Balaur, mas não penetra suas duras escamas e tudo o que consegue é chamar a atenção do dragão, que agora se prepara para atacar o anão.

Kalydor está soltando fumaça e joga seu escudo incandescente no chão para evitar queimar sua mão ainda mais. Ele então vê seu companheiro desarmado correndo para fugir do dragão. O guerreiro ergue sua espada e grita para tentar novamente chamar a atenção de Balaur, mas a criatura mostra inteligência e parece decidida a finalizar o oponente mais indefeso. O anão tropeça e cai pouco antes de atingir a floresta e o dragão já está pronto para queimá-lo. Kalydor havia corrido em direção a Balaur, mas um movimento rápido da cauda do dragão impede que ele se aproxime mais. A princesa tenta sem sucesso ferir a criatura com suas flechas e o mago sumiu dentro da floresta. O anão fecha os olhos e espera o pior enquanto o dragão abre sua boca e já é possível ver a claridade do fogo em sua garganta.

De repente, um estrondo vindo da floresta semelhante ao de uma manada interrompe o silêncio mortal e o dragão recolhe seu ataque. A figura do mago aparece, acompanhado de um exército formado de orcs, goblins e trolls que marcham em direção a Balaur. O mago dá um grito de comando e fica parado observando o avanço avassalador dos monstros que, surpreendentemente, obedecem à sua ordem e partem sem medo para o confronto. A princesa fica sem saber o que fazer e sobe em uma das árvores para sair do caminho do grupo que avança. O anão aproveita a chance para se levantar e correr enquanto Kalydor aproveita o reforço e se reanima para o combate sem questionar as intensões dos aliados inesperados.

O dragão dá então uma baforada que ateia fogo nos goblins e orcs que estavam na frente. Os imensos trolls atravessam as chamas e começam a bater com seus tacapes nas duras escamas de Balaur, que em um golpe poderoso com sua garra direita parte um deles ao meio. O mago grita para o anão e a princesa correrem para a entrada da caverna enquanto o dragão está ocupado com os demais. Sem questionar, os dois obedecem e o anão corre na direção de Kalydor para contê-lo. O guerreiro estava golpeando o rabo do dragão e resiste em deixar a batalha, mesmo sendo puxado pelo seu companheiro.

Os quatro aventureiros conseguem chegar à entrada da caverna, onde o anão consegue recuperar seu machado. Kalydor é o último a entrar, dando ainda uma olhada na batalha feroz que se desenrolava à distância e na qual Balaur já havia exterminado a maioria dos seus oponentes. O mago mais uma vez grita para Kalydor correr e o guerreiro finalmente obedece. Depois de alguns minutos, eles param ofegantes mais adiante da caverna onde a fúria do dragão já não conseguiria alcançá-los. Exaustos, eles se jogam ao chão, aliviados por estarem vivos mesmo depois de um encontro quase fatal com Balaur. Mas enquanto recuperam seu fôlego, Kalydor, o anão e a princesa já começam a formular em suas mentes as perguntas que farão ao mago para que ele explique a origem dos improváveis aliados que possibilitaram a fuga do grupo.

Nenhum comentário