Baião de Dois Bits - Episódio 73
Chegamos ao episódio 73
Este é o podcast do Mexido Digital e trazemos mais uma conversa sobre a nossa conhecida mistura de filmes, séries, jogos, livros e tecnologia!
Confira nossos tópicos a seguir:
Links para ouvir o podcast:
- YouTube: https://youtu.be/b_eM6vChor0
- E também disponível no Spotify, Amazon Music e Pocket Cast(e propagando para outras plataformas). É só procurar por Baião de Dois Bits!
Roteiro:
Entrada
- Apresentação rápida dos hosts: Jeff e Maik
Preparo do baião: momento em que misturamos os ingredientes selecionados para o episódio e servimos para os ouvintes
- Ingredientes do Michael:
- Primeira temporada de Pluribus na AppleTV+: após o grande sucesso de Breaking Bad e Better Call Saul, o criador Vince Gilligan volta às suas raízes de ficção científica (ele foi um dos criadores de Arquivo X) em um seriado sobre uma epidemia de um vírus alienígena que infecta praticamente toda a humanidade e cria uma "mente coletiva". O ritmo é bastante lento, mas nada que será estranho para os que conhecem os trabalhos anteriores de Gilligan, apesar de que aqui em alguns momentos chega a pesar quando temos cenas que tomam dez minutos sem acrescentar nada. O que acaba compensando é a premissa super criativa e interessante, além da performance magistral de Rhea Seehorn no papel principal. Além disso, a qualidade da produção é fantástica e fica evidente a preferência por efeitos práticos, algo raro hoje em dia. Sendo assim, apesar de não avançar muito na trama, vale assistir e ficar ligado para a próxima temporada para saber como a ótima premissa será desenvolvida.
- Quinta temporada de Stranger Things na NetFlix: a última temporada deste seriado era bastante aguardada porque ele foi um primeiros grandes sucessos da NetFlix e ajudou a lançar a moda da nostalgia aos anos 80 em seriados e filmes. Porém, passados dez anos os atores que antes eram crianças viraram adultos e os criadores, talvez acertadamente, resolveram ignorar isso, o que gera alguns momentos engraçados. Em termos visuais houve uma melhoria considerável em relação à temporada anterior, principalmente no visual de Vecna que abandona a fantasia emborrachada e ganha um ar bem mais assustador com elementos visuais em movimento. As decisões criativas foram polêmicas e os episódios talvez não precisassem ser tão extensos, mas pelo menos a série se manteve fiel ao seu estilo que mescla humor com aventura e algumas pitadas de terror. Certamente é obrigatório para quem acompanhou desde o começo. Muitos poderão questionar o desfecho escolhido, mas pelo menos tivemos um encerramento para uma das séries mais importantes da plataforma.
- A Empregada (2025): este filme é uma adaptação do livro "A Empregada" (The Housemaid), best-seller de Freida McFadden, mas restringiremos nossa análise à obra cinematográfica. Ela a traz a história de uma mulher em dificuldades financeiras que começa a trabalhar em uma casa de alta classe e descobre que existem mistérios macabros ali. O filme consegue prender o espectador e escalar o suspense de maneira interessante apesar do roteiro pouco realista, mas no seu terço final se rende à intensão de chocar e perde a mão de vez. Pesa também o fato dele ser uma apologia à vingança e à justiça pelas próprias mãos, uma vertente de pensamento que infelizmente vem ganhando força na nossa cultura ocidental. Fica o questionamento: se você faz com o vilão pior do que ele fez com você, quem é o vilão? Ainda assim, temos excelentes atuações de Amanda Seyfried e Brandon Sklenar como o casal rico, mas elas são marcadas pelo roteiro ruim.
- Eternidade (2025) na AppleTV+: uma comédia romântica que explora a existência de uma "estação intermediária" após a morte onde as pessoas escolhem a eternidade que querem usufruir. Imagine então o que acontece quando uma mulher que teve dois maridos chega lá e precisa escolher com qual irá passar a eternidade? Com uma premissa interessante e momentos genuinamente engraçados além de outros mais emotivos, o filme tem ótimas atuações de Elizabeth Olsen como a esposa e Miles Teller e como um dos maridos. Diversão leve e descompromissada para quem quiser relaxar.
- Quando o Céu se Engana (2025): o conceito de "trocar de lugar" já foi explorado diversas vezes no cinema e ele é novamente utilizado neste filme que traz Keanu Reeves como um anjo que se engana e troca a vida de um homem rico com a de outro pobre. Este erro traz consequência tanto para os "trocados" quanto para o anjo e o roteiro explora isso de forma bem interessante, com vários momentos engraçados e sem apelar para a baixaria. Sem dúvidas é mérito do protagonista, roteirista e diretor Aziz Ansari que rouba a cena com seu estilo bem peculiar de humor. Sua química com Keanu e Seth Rogen é a cereja do bolo desta comédia que, apesar de não revolucionar o gênero, entrega diversão sem apelar para os clichês.
- Davi - Nasce um Rei (2025): este filme de animação conta a história de um dos reis mais famosos de todos os tempos: Davi. Tratando desde sua infância, passando pelo marcante confronto contra Golias e chegando até sua faze adulta quando se torna rei, este filme retrata de uma maneira bem fidedigna o texto bíblico, mesmo que de uma forma bem leve para se adaptar ao público alvo infantil. Mesmo assim, a história mantém seu apelo universal e trata de temas muito relevantes como o poder da fé e de um coração ensinável. A belíssima animação é complementada por excelentes músicas neste filme que é uma excelente pedida para toda a família.
- Um Natal Surreal (2025) no Prime Video: quem nunca passou um Natal conturbado em família que atire a primeira pedra. Michelle Pfeiffer faz o papel de uma mãe de família estressada com o Natal e todas as cobranças que vem acompanhadas desta data. O filme é bem engraçado e explora de maneira inteligente as situações do cotidiano que todos podemos nos identificar, mesmo que a tradição natalina em terras tupiniquins seja um pouco diferente. Pfeiffer rouba a cena no papel principal com ótima timing de comédia e mostra que ainda tem muita lenha para queimar. Um filme leve e descompromissado para rir de situações que muitas vezes nos tiram do sério.
- Depois da Caçada (2025) no Prime Video: Um drama sobre abuso, traição e preconceito que usa como pano de fundo o ambiente acadêmico e seu jogo de egos. Mesmo com uma premissa interessante e um elenco estrelado que conta com nomes como Julia Roberts e Andrew Garfield, o filme peca no roteiro confuso e na sua execução lenta e desinteressante. A dupla de protagonistas se esforça, mas não consegue superar estas falhas e o resultado final é bem previsível e no máximo mediano.
- Tudo Culpa Dela (2025) no Prime Video: uma minissérie sobre o sequestro de uma criança que gira em torno do mistério de quem estaria envolvido e qual o motivo. O foco de culpa vai mudando de acordo com o que a trama vai avançando e temos boas reviravoltas no meio do caminho até a conclusão que também é satisfatória e surpreendente. Destaque para as atuações de Sarah Snook como a protagonista e mãe da criança; Michael Peña em um papel mais sério de investigador do caso e Dakota Fanning como uma amiga da mãe que também está passando por seus problemas. Muito recomendado para fãs de dramas policiais.
- Rurouni Kenshin (Segunda Temporada) no NetFlix: o remake da série de anime original dos anos 90 segue em uma segunda temporada onde mantém a mesma pegada da anterior, com melhorias significativas na qualidade de animação em relação ao original, uma abordagem um pouco mais séria e pequenas alterações em termos de trama. O ritmo continua excelente e alterna bem entre a ação e os momentos mais dramáticos ou de humor e a curta duração dos dez novos episódios ajuda a terminar rápido a nova temporada, apesar de que a história não atinge uma conclusão e deixa em aberto o grande confronto esperado. Muito recomendado para os fãs de animes de samurai e principalmente para quem gosta de Kenshin.
- Oitava temporada de F1: Dirigir para Viver no NetFlix: mais uma temporada sobre o esporte motor mais famoso de todos que retrata o ano de 2025 na Fórmula 1. O destaque continua sendo pela oportunidade de vislumbrar os bastidores do paddock, mesmo que fique claro que em vários momentos os envolvidos estão falando com plena consciência de que estão sendo filmados. Neste ponto, o mais interessante continua sendo as entrevistas com os pilotos que conseguem retratar um pouco mais do seu lado humano e como é difícil ter que lidar com a pressão envolvida na categoria. Recomendado apenas para os fãs de F1 que querem saber o que acontece no dia-a-dia fora das pistas com as equipes e pilotos.
- Indiana Jones e o Grande Círculo (PC): depois dos dois últimos filmes decepcionantes é muito bom ver o arqueólogo mais famoso do cinema voltar com tudo em uma aventura digna de seu legado. Com uma história excelente que se passa entre o primeiro e o terceiro filme da trilogia clássica, este jogo é uma carta de amor ao personagem e mostra que ele ainda pode ser representado de maneira interessante. Junte isso a gráficos belíssimos e a uma jogabilidade apurada que alterna entre primeira e terceira pessoa e temos algo digno de jogo do ano. Destaque também para a atuação de Troy Baker como a voz de Indy, conseguindo retratar de forma perfeita o estilo sarcástico de Harrison Ford em seu auge. Simplesmente imperdível para os fãs de jogos de aventura e principalmente para os admiradores de Indiana Jones.
- Split Fiction (PC): a mais nova aventura cooperativa do estúdio Hazelight é outra experiência fantástica para se divertir no sofá (ou online) com alguém. A premissa é bem interessante e explora uma tecnologia capaz de transformar histórias de ficção em experiências virtuais. Quando duas autoras ficam presas juntas na mesma simulação, eles precisam alternar entre seus estilos de fantasia e ficção científica para conseguir sair vivas. Joguei com meu filho de 11 anos e ele adorou cada minuto. O jogo tem o grande mérito de apresentar uma infinidade de estilos de jogabilidade diferentes, o que torna a experiência bem variada e mais divertida, com muitas referências e homenagens que certamente agradarão os gamers mais experientes. Recheado de ação, humor e alguns momentos de sincera emoção, este jogo é uma excelente pedida para quem quer uma desculpa para jogar com outra pessoa.
- Ingredientes do Jeff:
- Utilidade Pública - seja doador de medula. Mais informações aqui
- Foi apenas um acidente - Mubi - Um sobrevivente de tortura nas prisões iranianas do regime reconhece pelo barulho peculiar da próteses do seu torturador um senhor com a família tarde da noite na oficina que ele trabalha. Obcecado com a dúvida decide sequestra-lo e tentar resolver isso com outros sobreviventes em "altas aventuras" em Teerã. Além da incrível manifestação de amor ao cinema que é gravar sob risco de prisão/tortura/exílio, os 5 segundos finais acabam de forma magistral o filme. O primeiro do episódio que concorreu ao Oscar.
- Hamnet: A Vida Antes de Hamlet - disponível para aluguel em vários streamings. Aqui vemos a adaptação do livro que tenta desenvolver uma personagem subanalisada que era a esposa de Willian , Agnes(interpretada por Jessie Bucley) e que sinceramente leva o filme nas costas boa parte da projeção. É um filme que fala sobre amor, luto, superação e a busca por algo que se mostra maior que o simples sucesso. Tem alguns momentos melodramáticos, outros até risíveis(como a cena do cais), porém tem uns bons momentos em tela. O segundo que concorreu e ganhou o prêmio no Oscar de melhor atriz.
- Marty Supreme - para aluguel no Prime Vídeo - Em um filme que gerou antipatia de parte do público pelos comentários de Timothée Chalamet sobre operas e balé, aqui vemos Marty Mauser forçar todos os limites para extrair até o bagaço da vida difícil que ele teve nem que torne a dos outros muito pior. Desafiando a supremacia técnica asiática no tênis de mesa, de fato colocou os EUA como potência do esporte, porém apresenta em tela um personagem que pouquíssimas pessoas vão torcer. E nem estou falando do momento geopolítico corrente. Vale ver a apresentação que deu um título mundial ao que inspirou o filme. Não ganhou nem gripe no Oscar. :P
- Os Cantores - NetFlix - um dos curtas que ganhou em uma rara coincidência dessa edição do Oscar para curtas metragens que é uma adaptação de um conto de 1850 e guaraná com rolha onde em uma noite depressiva se cria uma competição de canto. Um interessante e raro caso de musical que eu gostei. A interpretação e a captação do som valem os 10 minutos e pouquinho.
- Duas Pessoas Trocando Saliva- Youtube - outro curta que dividiu a apresentação e aqui coloque seu sapatinho verde para entrar em uma curiosa distopia onde é proibido o beijo e se paga tudo levando tapas na cara. Além da fotografia e construção daquela estranha sociedade, o comentário dos criadores dão a motivação da obra: para refletimos nos absurdos que vivemos e não refletimos.
- Fleabag(2016-2019) - Prime Video - as aventuras , inclusive sexuais de Fleabag (interpretada por Phoebe Waller-Bridge e que a marcou tanto que por enquanto ela não consegue se desassociar da personagem). Em duas temporadas vemos uma jornada agridoce de uma pessoa que não superou o luto, a desconexão entre as relações e o envelhecer. Acostume-se a quebra de parede... com interessantes consequências :P
- Sonhos de Trem - NetFlix - na aposta da NetFlix para concorrer ao Oscar de fotografia com um brasileiro, vemos a história de Robert Grainer, um homem acostumado a derrubar árvores no início do séc XX e ao longo da sua vida vê tragédias, questiona parte da relação com a natureza e um mundo que muda em um ritmo que claramente ele não consegue acompanhar. Linda fotografia e apesar de um pouco triste tem uma mensagem final muito bonita. Não ganhou infelizmente nada no Oscar
- Sirat - nos cinemas, mubi e alguns streamings - aqui vemos a jornada de pai (Luis) atrás da filha desaparecida em raves no deserto junto com o filho enfrentando uma jornada cheia de perigos e com a formação de uma curiosa amizade. O filme é um road movie 2/3 só que cai para algo bizarro nos 1/3 finais. O final divide opiniões de várias pessoas. Linda fotografia, sem dúvida, mas a história é muito rala.
- Batida Só - livro de Giovana Madalosso - nesse épico acompanhamos Maria João, uma jornalista que sofre um ataque na rua que desencadeia um arritmia no seu coração que a leva a uma situação quase impossível nos mundos atuais: teria que ter o mínimo de emoções com risco de morte até ou a medicação funcionar ou ela sofrer uma intervenção médica no coração. Com muito humor e comentários inteligentes vemos o esforço dela de se adaptar a essa nova situação voltando ao interior e reencontrando uma amiga de infância que a leva a outras aventuras. É um livro adulto, muito bem feito e divertido... e emocionante. Ah, uma dica que foi dada no clube de leitura. A marcação que aparece as vezes de ',,,' são as batidas fora de ritmo.
- Socorro! nos cinemas e em breve na Disney+ - aqui vemos o sofrimento por falta de reconhecimento de Linda Liddle, que na troca da direção da empresa, por um golpe de "sorte/azar" vai em uma viagem de negócios com a direção da empresa e o mesmo cai em uma ilha deserta onde só ela e o chefe mala sobrevivem. A relação entre eles na nova situação é a graça do filme. Momentos estranhos, engraçados e um pouco de terror tipicos do Sam Raimi(e não é o Night Shyamalan como eu tinha pensado na gravação! Ups!)
- O Cavaleiro dos Sete Reinos - HBO - em um spin off que eu me questionava se era uma boa ideia, porém acabou que me surpreendeu positivamente com uma visão crua, às vezes escatológica ou desnecessária de nudez(padrão HBO??!) , mas sem os truques apelativos dos dragões ou muita política. Na verdade tudo fica em torno de um cavaleiro inexperiente que quer ganhar fama no maior torneio, contudo as coisas definitivamente não saem como ele espera. Pra o bem e para o mal. A jornada curiosamente lembra alguns pontos do Rocky 1. Só seis episódios nessa primeira temporada.
- Comentários sobre o Oscar - nessa edição foram feitas algumas correções de curso para que sejam mais palataveis para o público em geral, como bem destacou o Michael, mais curta, prestando atenção no feedback do público, porém claro que lembrando que é um premio da industria de lá, não um aval necessariamente técnico. Como grande ganhador da noite foi o Uma Batalha Após Outra , fato visto também como um recado politico do momento americano, mas também por inegáveis virtudes como a excelente atuação de Sean Penn como o insuportável Lockjaw. Em segundo lugar na noite Pecadores também levou muita coisa para casa em uma demonstração da adequação de uma pegada de ativismo aliada a momentos filme pipocão dão bons resultados. E a grande aposta da NetFlix esse ano não decepcionou que foi Frankenstein levando os seus 3 Oscar merecidos. E claro, não podemos terminar sem citar que perdemos o Oscar, mas pelo menos para um bom filme que é Valor Sentimental que também serviu como premiação para o conjunto da obra do diretor. Resumindo, a transição para virar um evento principalmente online se vê claramente em um mercado que sofre com mudanças rápidas tecnológicas e comportamentais do público.
Petiscos para a próxima: momento em que falamos um pouco sobre o que está por vir
- Petiscos do Maik:
- Terceira temporada de Falando a Real na AppleTV+
- Segunda temporada de Monarch: Legado de Monstros na Apple TV+
- Segunda temporada de Sequestro na AppleTV+
- Segunda temporada de The Pitt na HBO Max
- Amores à Parte (2025) no Prime Video
- Pequenas Cartas Obscenas (2023) no Prime Video
- Terminando o Black Myth Wukong
- Jogando It Takes Two
- Petiscos do Jeff:
- Paradise Disney+
- O Filho de Mil Homens - NetFlix
- Tudo é Rio Carla Madeira - livro
- Devoradores de estrelas - nos cinemas
- BlueMoon - nos cinemas
- Beastars - últimos capítulos - NetFlix
- Entre Nós - uma dose extra de amor
- A noite sempre chega - NetFlix
- Morrendo por Sexo Disney+
- Bailarina

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