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Eu faria assim: Filme de monstro - Parte 4


Depois de alguns segundos se recuperando, Kiam faz força para se projetar usando o tronco onde estava agarrado para tentar vencer o peso da neve que o soterrou. Por sorte, ele ficou a apenas alguns centímetros da superfície e depois de se impulsionar com as pernas ele consegue botar a cabeça para fora da neve. Sua vista ainda fica turva por alguns segundos antes dele começar a enxergar o que sobrou após o desastre. Um pouco de fumaça e alguns destroços são as únicas coisas que indicam que ali havia um acampamento. É aí que ele se lembra de John e o desespero toma conta de Kiam. 

Ele se debate para se livrar completamente da neve e consegue sair. A neve fofa dificulta seu progresso enquanto ele tenta identificar o local onde a barraca de John estava. Depois de gritar diversas vezes, de longe ele consegue ver um pedaço da bandeirola que ficava no topo da barraca de John. Kiam corre com dificuldade para alcançar o local. Assim que chega, ele começa a cavar a neve com as mãos desesperadamente enquanto grita pelo filho. Depois de desencobrir parte da barraca, para seu alivio, ele consegue escutar a voz de John e sentir seu movimento. Alguns minutos depois, ele termina de liberar um espaço suficiente e rasga a tenda, revelando a figura assustada e ofegante de seu filho.

Kiam o ajuda a sair da barraca e, depois de ver que está tudo bem, dá um abraço forte no filho, que retribui o gesto de forma calorosa. Depois, eles se deitam exaustos na neve se entregando ao cansaço. Alguns minutos se passam até que John quebre o silêncio:
- O que foi que aconteceu?

Kiam respira fundo e responde com outra pergunta:
- Você não escutou nada?
- Não, depois que vim para minha barraca, eu coloquei o fone de ouvido e dormi ouvindo música. Foi aí que acordei com o chão tremendo e alguns segundos depois minha barraca foi encoberta pela neve e fiquei espremido sem conseguir me mexer até que você me achou. Ainda bem que você chegou porque já estava quase me sufocando sem ar.

Kiam fica surpreso com a resposta de seu filho e senta para olhar em seus olhos. Depois de mais uma respirada longa, ele diz:
- Eu também peguei no sono em volta da fogueira e acordei com barulhos no acampamento. Nós fomos atacados por alguma espécie de animal e um dos guias tentou acertá-lo com um revolver. Foi isso que causou a avalanche. Eu saí correndo e consegui me proteger atrás de uma árvore. Você também deu sorte porque montou sua barraca atrás de uma árvore, se não ela teria sido levada pela avalanche.

John fica pasmo com o relato de seu pai e somente agora sabe do risco que correu. Sua atenção é voltada para a parte da história sobre o ataque e ele questiona Kiam:
- Mas você chegou a ver que animal nos atacou?

A expressão de Kiam fecha e ele responde:
- Eu não consegui identificar a criatura, mas posso dizer que nunca vi nada parecido. Apesar de ser peludo e grande como um urso, ele tinha um aspecto humano e ficava sobre duas patas.
- E ninguém mais sobreviveu?

Assim que John profere essas palavras, os dois ficam em silêncio e são interrompidos por um gemido fraco. Eles se levantam rapidamente e tentam identificar a origem do barulho. Kiam então consegue ver uma cabeça para fora da neve e corre para tentar ajudar enquanto conclama seu filho pra fazer o mesmo. É um dos guias e ele parece estar muito ferido. Os dois conseguem retirá-lo da neve com certa dificuldade enquanto ele fica balbuciando algumas palavras estranhas com uma voz bem fraca.

Depois de o encostarem em um tronco, Kiam prepara um fogueira para que possam se aquecer. Após descansarem um pouco, o guia continua em estado quase inconsciente e balbuciando palavras fracamente. John olha para o pai fala:
- Não consigo entender o que ele está falando.

Kiam aproxima seu ouvido para tentar ouvir melhor os sussurros do guia e o que ele escuta causa um frio mortal em sua espinha:
- Yeti... yeti...yeti...

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