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Eu faria assim: Novo filme do Robocop



Nada melhor para inaugurar essa coluna do "Eu faria assim" do que uma das minhas franquias favoritas: Robocop. Antes de descrever minha ideia para um novo filme deste personagem, irei recapitular um pouco da história da série.

O primeiro filme, que estreou em 1987 e foi dirigido por um inspirado Paul Verhoeven, é um dos filmes cult mais apreciados da ficção científica de ação. O ambiente futurista violento e recheado de críticas sociais cativou fãs em todo o mundo. A trilha sonora de Basil Poledouris traz uma mistura de elementos eletrônicos e orquestrais com um peso e qualidade que impulsionam o filme. O ator escolhido para interpretar o policial Alex Murphy foi o desconhecido Peter Weller, que conseguiu dar um rosto e uma voz marcantes ao policial do futuro. Apesar de ter uma produção complicada, com filmagens sendo feitas em um período de calor intenso e com problemas de adaptação do protagonista com a roupa, o resultado final agradou todos e criou uma franquia que rendeu outros filmes, uma série de TV e inúmeras aparições em videogames. Isso sem falar de todo o "merchan" com brinquedos, estátuas, action figures, etc. 

O problema, que acaba sendo a grande motivação que tive para escrever esta coluna, é que nenhuma aparição posterior do policial do futuro nas telas conseguiu corresponder à expectativa dos fãs ou até mesmo obter um sucesso que justificasse o investimento. Recentemente, foi dada ao brasileiro José Padilha a oportunidade de dirigir um reboot da franquia no cinema, começando totalmente do zero e abandonando todo o cânone já estabelecido para o personagem. Eu pessoalmente sou contra essa ideia, talvez porque o primeiro filme faça parte da minha infância e tenha um lugar especial na minha coleção de clássicos. Infelizmente ele foi mais uma vítima da nova onda de remakes que varre hollywood, o que num futuro próximo irá vitimar outra franquia venerada por muitos: Exterminador do Futuro. Mas isso é assunto para outra edição desta coluna. Vamos focar no Robocop. O fato é que eu não tenho nada contra o José Padilha e desejo todo o sucesso para ele nessa nova empreitada. Certamente irei assistir o filme com bastante expectativa, mas também com um pouco de tristeza pelo legado deixado para trás.

A minha intenção é fazer algo parecido ao que Bryan Singer fez com Superman: respeitar as origens do personagem e quase toda a mitologia já criada (apenas dos dois primeiros filmes) e seguir a partir daí em uma nova aventura. Só espero que eu tenha mais sucesso que ele, pois acredito que poucas pessoas aprovaram o resultado final do filme do homem de aço.

Para quem não assistiu o primeiro filme, segue um resumo rápido: A futurista Detroit sofre com a escalada da violência. Uma organização chamada Omni Consumer Products (OCP) é contratada para administrar a polícia e começa a desenvolver um projeto de um policial robô para combater o crime. A primeira tentativa de fazer um policial robô autônomo falha e surge a ideia de investir em um conceito de ciborgue que seja construído a partir de um ser humano. Enquanto isso, o policial novato Alex Murphy é ferido gravemente em uma operação para prender a gangue de um dos chefes do crime de Detroit: Clarence Boddicker. A OCP aproveita a oportunidade e utiliza o corpo do policial para construir o primeiro protótipo de ciborgue chamado Robocop. Inicialmente declarado como morto e sem suas memórias, o policial Alex Murphy começa a ser perseguido com imagens de sua morte e dos seus assassinos. Depois de recobrar parte de sua memória com a ajuda de sua antiga parceira e sofrer com a impossibilidade de restabelecer seu relacionamento com esposa e filho, Alex Murphy inicia uma caçada a Clarence Boddicker e seus comparsas, desvendando inclusive uma aliança criminosa entre eles e o presidente da OCP.

Muito bem, finalmente é chegada a hora de descrever a minha visão de como deveria ser um novo filme do Robocop.

Mais de 20 anos se passaram da morte de Alex Murphy pelas mãos do crime de Detroit e de sua ressurreição como Robocop, um policial robô fabricado pela OCP para ser a arma definitiva contra a violência que assolava a cidade. Nos primeiros anos de serviço, ele foi tratado com herói e se transformou numa peça fundamental para manter a ordem urbana.

O problema é que o programa Robocop que o criou foi abandonado pela OCP devido a avanços na tecnologia de inteligência artificial e pelo fato de se achar que o componente humano em um robô traz mais fraquezas que benefícios. Robocop foi o primeiro e único. Com o passar dos anos, sua popularidade foi caindo e a OCP deixou de dar o suporte necessário para sua manutenção. Mesmo com o risco de ser morto ou ficar inutilizado, Murphy não desistiu de continuar na ativa. Para tanto, precisou contar com a ajuda de sua fiel parceira Anne Lewis, agora aposentada, e de seu filho James Murphy. 

Apesar de inicialmente assustado com sua figura paterna, James continuou tendo contato com Robocop mesmo depois que sua mãe se casou novamente. Ainda que o lado máquina de Alex Murphy tenha suprimido grande parte do seu lado humano, James cresceu admirando a dedicação com a qual seu pai defendia a lei e a ordem da cidade. Ele estudou robótica e atualmente se dedica a dar todo o suporte necessário para manutenção de Robocop em atividade. O centro de operações foi transferido para os porões da antiga delegacia de polícia Metro West, onde James e Anne lutam com as limitações e falta de apoio para manter Alex Murphy vivo e funcional.

Em paralelo, os avanços tecnológicos permitiram que se desenvolvessem robôs autônomos dotados de inteligência artificial para substituir a mão de obra convencional em praticamente todos os postos de trabalho, inclusive na polícia. A OCP cresceu ainda mais e tem contratos para fornecer robôs e drones para a polícia, bombeiros e forças armadas. Além disso, a OCP conseguiu implantar seu projeto de uma nova cidade chamada Delta City que abriga apenas os ricos e poderosos de Detroit, vivendo em uma realidade totalmente dependente das máquinas, que realizam todo o trabalho manual. Em sua sede, existe um sistema central computadorizado e independente que coordena todos os robôs e sistemas automatizados de Delta City, chamado de MAIC (Main Artificial Intelligence Computer). Enquanto isso, a periferia da cidade, conhecida como velha Detroit, é o refúgio dos pobres que lutam contra o descaso e abandono das autoridades em uma região desolada pela violência. É nesta periferia que Alex Murphy continua a atuar como policial, combatendo o crime e tentando manter a ordem mínima necessária para a sobrevivência dos mais desafortunados.

Delta City delega cada vez mais poder ao computador MAIC, permitindo que ele controle mais serviços da cidade: transportes, segurança, tráfego, quase tudo é controlado pela inteligência artificial. A principal função de MAIC é gerenciar a cidade da maneira mais eficiente possível. Como este computador aprende exponencialmente através da internet, ele tem a capacidade de modificar sua própria programação para realizar suas tarefas de uma maneira que decide ser mais eficiente. Com o passar do tempo, o computador determina que a grande causa de erros e de problemas que geram ineficiência na administração de Delta City é o fator humano e tudo o que ele traz, principalmente a questão de fragilidade e influência dos sentimentos no comportamento. Desta forma, MAIC decide por conta própria que a melhor forma de atingir a eficiência máxima é exterminar os seres humanos de Delta City e substituí-los por robôs que realizem suas tarefas com precisão e previsibilidade.

A partir daí, MAIC usa os robôs de Delta City para causar o completo caos nas ruas. Pessoas são mortas, casas e comércios destruídos e as autoridades, em ato de desespero, conseguem se refugiar na sede da prefeitura. Poucos seguranças e soldados ajudam na resistência na prefeitura, mas seu poder de fogo é muito limitado para conseguir se opor aos robôs da OCP controlados por MAIC. Então, o presidente da OCP, que também está refugiado com as demais autoridades, consegue entrar em contato com a velha Detroit e pede ajuda a Robocop. 

Para ajudar Robocop, Lewis conclama então os policiais da velha Detroit para o ajudarem a retomarem Delta City. Eles montam um grupo que consegue invadir a cidade com grande dificuldade e levar Robocop até a sede da OCP. Lá, ele enfrenta vários problemas devido à resistência imposta por MAIC, que faz uso de todos os dispositivos e robôs para tentar deter Robocop. MAIC dispõe da linha mais avançada de robôs da OCP, dos quais ED909 é o mais poderoso. Neste momento, o que resta de Alex Murphy em Robocop faz a diferença e ele usa sua intuição e esperteza para superar a lógica avançada e o poder de fogo superior das máquinas controladas pela inteligência artificial. Usando disfarces, armadilhas e distrações, ele consegue subir até o andar onde fica o computador central. Mesmo gravemente avariado, Robocop consegue destruir MAIC. 

Todas as máquinas de Delta City ficam inoperantes e os reféns sobreviventes na prefeitura são libertados. Depois do esforço bem sucedido de Alex Murphy, a OCP reconhece a importância de manter o componente humano nos robôs que lidam com a segurança da cidade, para evitar que novas tragédias como essa se repitam. O programa Robocop é então reativado e James Murphy é colocado como seu líder para desenvolver uma nova geração de robôs cibernéticos que usará policiais voluntários vítimas de doenças terminais.

Com Delta City destruída e sem poder usar seus robôs automatizados, a prefeitura decide empregar os moradores da velha Detroit na reconstrução da cidade, com a promessa de oferecer moradia e suporte para todos.

A ordem é restabelecida mais uma vez até que um novo inimigo se levante para ameaçar as leis e a justiça. Enquanto isso, Robocop permanece sua patrulha incessante e dedicada para proteger e servir a população.

Um comentário:

  1. Opa, comentário #1! Vamos lá: me parece uma mistura de "Robocop" com "Eu, Robô", ignorando as três leis da robótica de Asimov, que também foram inspiração para as diretrizes do Robocop. Mas acho que o filme ficaria bom - tem ação, enredo e lição moral! Teria boa bilheteria. (Ironia: ao publicar o comentário tenho que provar que não sou um robô!)

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